Cecilio no Escritório

Cecilio no Escritório
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pedras

Certa vez, um homem caminhava pela praia, numa noite de lua cheia...

Ele pensava desta forma: se tivesse um carro novo, seria feliz; se tivesse uma casa grande, seria feliz; se tivesse um excelente trabalho, seria feliz; se tivesse uma parceira perfeita, seria feliz...

Até que ele tropeçou em uma sacolinha cheia de pedras.

Por conta disso, ele começou a jogar as pedrinhas, uma a uma, no mar, cada vez que dizia:

Seria feliz se tivesse...

Assim o fez até que ficou com uma só pedrinha na sacolinha e decidiu guardá-la.

Ao chegar em casa, percebeu que aquela pedrinha, tratava-se de um diamante muito valioso.

Você imagina quantos diamantes ele jogou ao mar sem parar para pensar?

Assim são as pessoas...

Jogam fora seus preciosos tesouros por estarem esperando o que acreditam ser perfeito ou sonhando e desejando o que não têm, sem dar valor ao que tem perto delas.

Se olhassem ao redor, parando para observar, perceberiam quão afortunadas são.
Muito perto de si está sua felicidade.
Cada pedrinha deve ser observada...
Ela pode ser um diamante valioso!
Cada um de nossos dias pode ser considerado um diamante precioso e insubstituível.
Depende de cada um aproveitá-lo ou lançá-lo ao mar do esquecimento para nunca mais recuperá-lo.

E você, como anda jogando suas pedrinhas?

Família

E até mesmo seus sonhos

Amigos

Trabalho

A morte não é a maior perda da vida.

A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos.

A Pedra

A PEDRA

O distraído nela tropeçou...
O bruto a usou como projétil...
O empreendedor, usando-a, construiu...
O camponês, cansado da lida, fez dela assento...
Para meninos, foi brinquedo...
Drummond a poetizou...
Já Davi matou Golias...
Michelangelo extraiu dela bela escultura...

Em todos os casos a diferença não estava na pedra, mas no homem, na sua atitude para com a pedra!!!

Não existe pedra no seu caminho que não possa ser aproveitada para seu próprio crescimento

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Antes que eles cresçam

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos filhos. É que as crianças crescem independente de nós. Como as árvores tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem com uma estridência e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias de igual maneira; crescem de repente. Um dia sentam-se perto de você no terraço, e dizem uma frase com tal maturidade, que você sente e não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde é que andou crescendo aquela danadinha, que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele dele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiquinhos e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica, desobediência civil. E você agora esta na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos.
Entre hambúrgueres e refrigerantes lá estão nossos filhos, com uniforme de sua geração; incômodas mochilas da moda dos ombros nus, ou então, com blusa amarrada na cintura. está quente, achamos que vai estragar a blusa, mas há jeito, é emblema da geração.
Pois ali estamos, com os cabelos embranquecidos. Eles são os filhos que conseguimos gerar apesar dos golpes dos ventos, das colheitas das notícias e das ditaduras das horas. Eles crescem meio amestrados, observando nossos muitos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Não mais os colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, do inglês, na natação e do judô. Saíram do banco de trás e passaram para o volante das próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer, para ouvirmos sua alma respirando conversas e confidências entre lençóis da infância e os adolescentes cobertos, naquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores (...).
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, Natais, Páscoas, piscinas e amiguinhos. Sim, havia as brigas dentro do carro, disputa pela janela, pedido de chicletes e sanduíches, cantorias infantis. Depois chegou a idade em que viajar com os pais começou a ser esforço, um sofrimento, pois era impossível largar a turma e os primeiros namorados. Os pais ficaram então, exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas não, de repente, morriam de saudades daqueles pestinhas.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.

(por Affonso Romano de Sant´anna)